O Patrulhamento Marítimo
A história do patrulhamento marítimo português
remonta à 1ª Guerra Mundial, quando a Alemanha
declara guerra a Portugal devido ao
aprisionamento de navios alemães no porto de
Lisboa. Devido a este facto houve necessidade de
reforçar a vigilância da costa portuguesa contra
acções submarinas. Por este motivo, foi criada o
Serviço de Aviação da Armada inicialmente com
dois aviões Schreck FBA - Tipo B que alguns
meses depois foram substituídos por 4
Donnet-Denhaut D.D.8 deram inicio ao
patrulhamento da costa portuguesa.
Devido à posição estratégica do Arquipélago dos
Açores, os Estados Unidos negociaram com
Portugal a instalação de uma base aeronaval em
Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel. As
operações de patrulhamento marítimo nos Açores
tiveram inicio no primeiro trimestre de 1918 com
hidroaviões Curtiss HS-1L e HS-2L.
Com o fim da 1ª Guerra, a aviação naval possuía
uma frota de 14 aeronaves que ficaram a operar a
partir do Centro Naval de S.Jacinto
Com o inicio da Segunda Guerra Mundial promoveu-se
o desenvolvimento e a utilização dos submarinos
como arma. A batalha do Atlântico que estava a
tomar um rumo em favor das forças Nazis, obrigou
as forças aliadas a apostarem no patrulhamento
marítimo assim como em armamento eficaz no
combate aos submarinos.
Portugal, que durante a segunda grande guerra
manteve uma posição neutral, viu-se forçado a
permitir que as forças aliadas utilizassem os
Açores como plataforma de aeronaves de
patrulhamento marítimo.
Em Abril de 1949 Portugal adere à NATO e adquire
24 aeronaves Helldiver SB2C-5 inteiramente
vocacionados para a luta anti-submarina.
Em 27 de Maio de 1952 é promulgado o decreto que
cria a Força Aérea como ramo independente a
partir do dia 1 de Julho desse mesmo ano. Dois
anos depois a Força Aérea Portuguesa recebe 5
PV-2 Harpoon para a recém formada Esquadra 61.
Posteriormente chegam mais 16 PV-2 que formam a
Esquadra 62. Esta aeronave manteve-se ao serviço
do patrulhamento marítimo até 1960, altura em
que foram recebidos os P2 V-5 Neptune ao abrigo
do "Mutual Defense Assistance Package" que
estiveram ao serviço até 1977, altura em que
foram desactivados.
Entre 1977 e 1988 o patrulhamento marítimo foi
realizado por outros tipos de aeronaves que não
estavam equipadas para esse tipo de missão.
O projecto P-3P
Impunha-se a aquisição de uma aeronave de
patrulhamento marítimo para fazer face aos
compromissos assumidos no seio da Aliança
Atlântica. Em 1983 aquando da revisão dos
acordos estabelecidos com o governo do EUA para
a exploração da Base Aérea das Lajes ficou
estabelecida a aquisição de aeronaves de
patrulhamento marítimo (MPA). Foram realizados
vários estudos que apontaram para a escolha da
aeronave P-3 Orion.
A 1 de Outubro de 1985 foi assinado o acordo com
a Lockheed para a aquisição de 6 aeronaves P3-B
recebidas da Força Aérea Australiana que os
tinha substituído pelos mais recentes P-3C.
Os 6 P3 adquiridos por Portugal foram
modernizados para satisfazer os requisitos
operacionais para as missões de ambiente
marítimo. Após a modernização os 6 aviões
receberam a denominação P-3P.O primeiro destes
aviões foi inteiramente modificado nas
instalações da Lockheed em Burbank na
California, as restantes 5 aeronaves foram
modernizadas nas OGMA em Portugal.O P-3P foi
equipado com um vasto leque de sensores activos
e passivo, bem como sistemas de comunicações que
lhe conferem uma grande capacidade para
desempenhar uma grande variedade de missões.
A Esquadra 601
Com a chegada do primeiro P-3P à Base Aérea 6 no
Montijo em 7 de Agosto de 1988, deram-se inicio
ás actividades da Esquadra 601, herdeira das
tradições do patrulhamento marítimo em Portugal.
Até 1990 a actividade da Esquadra foi
essencialmente dedicada ao treino e qualificação
das tripulações que ficou a cargo da Lockheed.
Após esta data a Esquadra 601 ficou habilitada a
dar formação com instrutores nacionais.
Actualmente, cerca de 100 militares entre
pessoal navegante e de manutenção trabalham na
Esquadra. Desde a sua formação até à presente
data foram voadas mais de 24.000 Horas. Está
presentemente colocado na Base Aérea nº 11 em
Beja desde o dia 19 de Fevereiro de 2008.
A área de responsabilidade
Portugal fica situado no extremo sudoeste da
Europa tendo como única fronteira terrestre a
Espanha. Caracteriza-se pela descontinuidade
territorial com os Arquipélagos dos Açores e
Madeira, a respectivamente 900 e 500 milhas
náuticas. A sua Zona Económica Exclusiva (ZEE) é
a segunda maior da Europa, de grande importância
para a economia nacional. Somos ainda
responsáveis pela prestação de serviços, onde se
inclui a busca e salvamento nas duas regiões de
informação de voo, Lisboa e Santa Maria cujo o
tráfego anual ultrapassa os 550 000 voos.
Na nossa área de responsabilidade convergem
linhas de comunicação marítimas e aéreas que
ligam os 5 continentes. É através das rotas de
comunicação marítima que circulam grande parte
dos recursos energéticos e matérias-primas para
a grande maioria dos países europeus.
O envolvimento da Esquadra 601
Ao longo dos 24 anos de existência, a Esquadra
601 participou em várias missões de interesse
nacional e internacional. De destacar a
participação nos exercicios Tapoon, Ocean
Safari, Suroit, Dogfish, JMC, Strong Resolve,
Linked Seas, Keftacex e mais recentemente o
Noble Manta.
A participação da Esquadra 601 na Operação Sharp
Guard no âmbito da União Europeia com o
objectivo de dar cumprimento ás resoluções do
Concelho das Nações Unidas que visavam
concretizar um embargo naval à Sérvia e
Montenegro como forma de proibir a entrada de
armamento na antiga Juguslávia através do
controlo marítimo do Mar Adriático.
A operação Sharp Guard teve início em Julho de
1992 e terminou em Fevereiro de 1996 com um
total de 576 missões efectuadas que totalizaram
3712 horas de voo.
No âmbito nacional é de referir a participação
da Esquadra 601 no apoio ás forças envolvidas
nas operações humanitárias no conflito da Guiné
Bissau em Junho de 1998. A crise obrigou à
evacuação da Guiné por via marítima de inúmeros
refugiados, entre os quais se encontravam um
número assinalável de portugueses.
A participação do P-3P foi determinante para o
esclarecimento do panorama de superfície durante
a execução dos movimentos marítimos.
Mais recentemente, em Junho de 2007, Portugal
participou na Operação Frontex em que uma
aeronave P-3P operou a partir da ilha de Malta,
controlado os movimentos de imigração ilegal do
norte de África para a Europa.
A Esquadra 601 participa desde Março de 2005 na
operação Active Endeavour com duas missões
mensais com a duração aproximada de 8 horas cada.
Esta operação realiza-se no âmbito da NATO e
visa o controlo de actividades ilícitas no Mar
Mediterrâneo em conjunto com outros meios navais
da Aliança Atlântica.
Em Maio de 2009, a Esquadra 601 disponibilizou
as suas instalações em Beja para a realização do
Exercicio Shark Hunt 2009. Uma organização da
Marinha Norte Americana que anualmente convida
várias nações a participar neste exercício. A
edição de 2009 contou com a presença de um P-3P,
dois P-3C da US Navy, um P3C Noruguês e um
Nimrod Inglês.
Em 22 de Abril de 2010 o último P-3P (14805)
operacional, chegou ao Oceano Indico para
participar na Operação Atalanta de combate à
pirataria naquela região do globo. Esta operação
da responsabilidade da União Europeia no âmbito
da EU NAVFOR irá estender-se até finais de 2012.
A presença da Esquadra 601 na Ilha de Mahé no
Arquipélago das Seychelles manteve-se até ao
final de Agosto de 2010, onde foram realizadas
40 missões que totalizaram mais de 320 horas de
voo.
Em 17 de Abril de 2011 a Esquadra 601 voltou ao
Oceano Indico para participar na Operação Ocean
Shield no combate à pirataria na costa da
Somália. O destacamento foi composto por 53
militares, uma aeronave P-3C CUP+ e teve como
base a Ilha de Mahé no Arquipélago das
Seychelles. Realizaram-se 30 missões que
totalizaram 245 horas de voo.
No regresso a Portugal o P-3C 14810 rumou a sul
com destino a Maputo onde realizou um voo de
demonstração às autoridades militares de
Moçambique, dando a conhecer as capacidades da
aeronave na vigilância marítima.
Após esta visita, o P-3C rumou a Cabo Verde,
tendo efectuado uma escala técnica em São Tomé.
A Esquadra 601 efectuou um voo de demonstração
às autoridades militares cabo-verdianas.
25 Anos do P-3P
A 13 de Outubro de 2011 realizou-se o último voo
da frota P-3P. A última aeronave que estava ao
serviço da Esquadra 601, 14805, descolou da Base
Aérea 11 em Beja para um curto voo de despedida.
O futuro
A incansável frota de P-3P conta com mais de 20
anos ao serviço da FAP. Uma memorável história,
rica em sucessos, nas mais de 25000 horas voadas
sob as insígnias da Cruz de Cristo. Sem
menosprezar a fiabilidade desta plataforma, há
que encarar que os seus sensores e restante
equipamento de missão já não satisfazem as
necessidades impostas pelas novas ameaças.
Conscientes deste facto, a Força Aérea e o
Estado Português iniciaram um programa de
substituição da frota de 6 P-3P por 5 aeronaves
P-3 CUP Plus. As aeronaves foram adquiridas à
Real Marinha Holandesa. Do contrato assinado
fazem parte duas aeronaves modificadas para a
versão CUP Coast Guard e três aeronaves P-3C
update II/2. A primeira aeronave CUP versão
Coast Guard foi entregue à FAP em 19 de Janeiro
de 2006 nas instalações da Lockheed em
Greenville (USA). As restantes aeronaves foram
entregues à Esquadra 601 até meados de 2007.
A modernização das 5 aeronaves com sensores de
vanguarda, capazes de fazer frente aos desafios
do futuro, tornam a plataforma P3 CUP Plus numa
das mais avançadas do mundo. A primeira aeronave
chegou à Esquadra 601 em 26 de Agosto de 2010. A
Segunda Aeronave chegou a 21 de Fevereiro de
2011. A frota deverá estar totalmente
modernizada até meados de 2012.









